Se vocês se surpreendem só com os "flashs" contados neste blog e no perfil do Facebook, não imaginam como é a rotina de vovó.
Dorme cedo e, consequentemente, acorda cedo. Respeitando a rotina e não criando movimentos que possam estressá-la ou agitá-la (além do que é normal para ela), o sono flui bem.
Mas, vamos à rotina...
Há uma variedade enorme de atividades que podem ser realizadas por ela ao longo do dia. É só uma questão de escolha e de isolar o que pode causar perigo.
Como se fosse a primeira vez... Acorda às seis, procura uma imagem conhecida: "Achou!", digo imediatamente ao se levantar. Indo ao meu encontro: "Ahh, hahahaha ! Você veio !?", "Você vai sair ? Me leva, heim !", diz mamãe seguido de um abraço caloroso e um beijo carinhoso.
Na companhia uma da outra, fazemos a higiene, preparamos e fazemos a primeira refeição do dia. No relógio marcam 7h de um dia que promete ser bem produtivo, e me pergunta se pode calçar o sapato pra sair.
Ofereço uma história do neto quando estudou no quarto ano do Ensino Fundamental (Caça ao Tesouro, uma viagem ecológica, de Liliana e Michele Iacocca), dizendo-a do que se trata, a qual lê e se diverte. Pergunto sobre a história e ela esboça um descontentamento sobre a ausência de lembrança do que acabou de fazer. Pergunto se gostou e ela me responde que não sabe (na maioria das vezes, diz que sim).
O
Inicia, sob a minha orientação, o reconhecimento e a construção de seis figuras com Tangran. Faz duas correntinhas com miçangas em seqüência usando três cores. Monta outra sequência, agora com os quatro naipes das cartas de baralho (quase um jogo de paciência). Procura as figuras iguais (em pares) de um jogo de memória de cinquenta peças.
Já em pé perguntando se vamos sair, peço-a para me ajudar nas Atividades de Vida Diária (AVD): retira e dobra as roupinhas do varal de pé que fica na varanda, seca os potes plásticos e talheres, estica o lençol da própria cama, dobra algumas sacolinhas de mercado. Na expectativa de sair, ainda no meio da manhã, ofereço-a um lanchinho e ela saboreia como se fosse a primeira refeição do dia...
Ofereço outra história (uma da coleção de Ziraldo). Constrói uma pequena vila com blocos de madeira. Pega a bolsinha, o colar e me pergunta se ela pode ir pra casa dela. Por minha solicitação e muito contrariada, guarda a bolsinha. Ofereço doze figuras de quebra-cabeça (4, 6 e 9 peças - as figuras com 12 peças passou a realizar apenas com orientação). "Acabei ! Bete, venha ver ! Está certo ?".
Anda pela casa, em cada cômodo observa ao seu redor, abre armários, até que encontra o seu. Pega a bolsinha, se dirige à mesinha de cabeceira, pega outro colar sem se dar conta de que já está com um no pescoço, vai ao meu encontro e pergunta onde está o sapato. Reclamando da resposta e muito contrariada, volta se dirigindo ao corredor da casa, pára e pergunta onde ela pode deixar a sua bolsinha, porque depois vai precisar dela.
Peço sua ajuda para molhar as plantinhas. Me observa enquanto preparo o almoço se colocando pronta para ajudar-me. Muito aflita, andando de um lado para o outro, da cozinha para a sala, me pergunta se vamos sair... Retorna para a cozinha (insatisfeita com a resposta, lógico), volta a me observar e pergunta se ela também vai comer aquilo, se depois vou levá-la (já não sabe mais pra onde)... Ofereço outro livro, agora uma pequena história até que o almoço chegue à mesa.
Hora do almoço. Uma pausa e uma tentativa de descanso. Dela ? Kkkkk enganou-se... No máximo um cochilinho de 15 minutos e muitos argumentos para ver o programa de TV, como uma tentativa dela descansar para o segundo turno. Um turno, quem sabe, com menos atividades, mas com certeza regado a um passeio, nem que seja ao redor do quarteirão ! Qualquer dia lhes conto...



