Usamos apenas 10% do nosso cérebro ? Como pode ? Quais razões científicas nos fazem crer nesta proposição ? Depois de ler "O cérebro nosso de cada dia", de Suzana Herculano-Houzel e me surpreender todos os dias com vovozinha, tenho que concordar: esta frase é MITO. Como diz Suzana, quem discordar não imagina a maravilha que possui dentro da cabeça.
O sistema nervoso tem "a capacidade de fazer novas combinações entre seus elementos e de mudar a eficiência das conexões - as sinapses - já existentes" (Herculano-Houzel), o que me reporta à história de "rearranjo funcional" que estudei no livro Exercite sua Mente (Gasparetto e Lasca). Quando a frequência de uso dos neurônios aumenta, a conexão fica "fortalecida"; quando diminui, a conexão fica "enfraquecida". Sabe-se, também, que nenhuma conexão é fixa; quando enfraquece demais pode ser eliminada e uma nova pode ser feita em outro lugar, com outro neurônio, criando novas associações, novos aprendizados (agora entendo melhor a "teoria da modificabilidade cognitiva", de Forrenstein).
É lógico que nem tudo o que aprendemos fica 100% na memória. Mas, com certeza, o cérebro com que nascemos não é fronteira final e não há limites quando ativa as funções do aprender: ele simplesmente funciona e vai se modificando com nossos esforços.
Se os nossos exemplos não são suficientes para chancelar essa teoria, deixo alguns de vovozinha (92 anos com Doença de Alzheimer - DA) à disposição no YouTube. E que disposição ! É só clicar, porque o esforço é todinho dela:
Fase moderada da DA:
Fase moderada grave da DA:
http://youtu.be/kYIZfww3gy4 (parte 1)
http://youtu.be/kNJHPjLd5ng (parte 2)
São essas e outras razões científicas que me fazem crer que existe um universo maravilhoso na cabeça de vovozinha ! De fraca, ela não tem nada !
