segunda-feira, 13 de abril de 2015

Para sempre ... ? Quem sabe ?

Nessa trajetória tão recente de estudos e pesquisas em Neurociências, me defrontei com o fascinante conhecimento sobre o processo de comunicação entre as células nervosas (neurônios) - o que nos faz compreender os movimentos, as sensações, as emoções, os pensamentos, a aprendizagem, a memória, enfim, qualquer ação e reação do nosso corpo em decorrência das funções ou disfunções do cérebro humano. Com isso, algumas das muitas respostas que busco para entendimento sobre os transtornos cognitivos e, em especial, sobre a doença de Alzheimer começaram a despontar. Já consigo, inclusive, reconhecer nos exemplos de vida (sejam das minhas vivências ou aqueles retratados nos filmes e nos livros) as informações ora acessadas ao longo desses estudos. Reconheço também que aos poucos essas informações se transformam em conhecimento. Para a vida toda ? Quem sabe ...? Dependerá, dentre muitos fatores, do movimento que eu fizer de continuidade dos estímulos (externos e internos) para manter e potencializar a "conversa entre os neurônios" em longo prazo.

Ao ver o filme e ler o livro Para Sempre Alice, onde a autora, Lisa Gênova, retrata a história de uma professora de linguística diagnóstica com Doença de Alzheimer (DA) aos cinquenta anos, identifiquei tantas fases vivida com mamãe e informações decorrentes das pesquisas e estudos desenvolvidos ao longo desses últimos dois anos... Destaco aqui uma das conversas do médico neurologista com a paciente e seu marido (p.232 do livro):

"(...) Provavelmente, a doença começou muito antes do diagnóstico que ela teve em janeiro do ano passado. É provável que ela, você, os familiares e os colegas dela tenham descartado um sem-número de sintomas como acasos ou coisas normais, ou que os tenham atribuído à tensão, à falta de sono, ao excesso de bebida e por aí vai. Isso pode facilmente ter acontecido um ou dois anos, ou até mais."

De tudo que já se descobriu sobre essa demência, a comunidade científica afirma que o processo que conduzirá à DA vai se desenvolvendo, silenciosamente nas estruturas celulares, muito antes do aparecimento de qualquer sintoma, seja de início precoce ou tardio.

Continuando o diálogo: "(...) Se a pessoa média tem, digamos, para simplificar, dez sinapses que levam a uma informação, a Alice pode facilmente ter cinquenta. Quando a pessoa média perde essas dez sinapses, a informação fica inacessível, esquecida. Mas a Alice pode perder essas dez e ainda ter outras quarenta maneiras de chegar ao alvo. Por isso, suas perdas anatômicas" (cerebrais) "não são tão profundas e funcionalmente notáveis, a princípio."

Esse trecho, por exemplo, me fez lembrar (uau, isso é muito bom !) do estudo realizado em 2013 sobre "O processo de comunicação entre neurônios e a doença de Alzheimer". Nele dissertei sobre a disfunção de uma parte do processo de conexão/comunicação entre os neurônios: a fosforilação dos filamentos das células nervosas (neurofilamentos formados pela proteína TAU, necessários para manter o fluxo de informações ao longo do axônio) e a mutação da proteína precursora amilóide (APP).

O que isso quer dizer ? As condições internas do organismo humano e o ambiente externo emitem informações continuamente aos neurônios por meio de impulsos nervosos elétricos (dentro de um neurônio) ou químicos (de um para outro neurônio ou para uma célula muscular). Tais sinais são percebidos pelos dendritos, que percorrem o corpo celular, onde é feita a leitura da informação. Sua resposta é enviada pelo axônio em microtúbulos - responsável pelo transporte intracelular, pelo deslocamento de cromossomos e pela manutenção da forma das células. Quando há aproximação de dendritos de outras células, o axônio libera substâncias químicas (neurotransmissores) via terminação neuronal. Ao se formar a fenda sináptica, os neurotransmissores produzem mudanças excitatórias ou inibitórias na estrutura celular seguinte. A continuidade desse processo, forma uma rede de conexões. Essa "conversa entre as células" permite que o sistema nervoso controle e coordene as funções corporais, fazendo com que o corpo responda e aja sobre os estímulos (internos ou externos). Qualquer alteração neste processo ocasiona danos ao indivíduo ao longo da vida. Dentre os mais intensos, é a Doença de Alzheimer (DA).

Neste processo se concentram duas importantes proteínas: TAU e amilóide (APP). Investigações sugerem que as alterações tanto de uma quanto da outra proteína, seja em sua função específica ou na interação com a circuitaria neuronal, impedem que os neurônios envolvidos transmitam sinais elétricos e transportem nutrientes. Quando isso acontece nas estruturas fundamentais para o funcionamento da memória, ou seja, no hipocampo (responsável por registrar as informações de todo o cérebro) e na amígdala (reguladora dos estados emocionais), imagine o estrago que faz ! Há perda significativa e gradativa das funções celulares que regulam, como por exemplo, comportamentos de memória e aprendizagem.

Portanto, exercitar e estimular os neurônios, sejam novos ou os já existentes, se faz necessário para modificar e otimizar a adaptação ao novo e reestabelecer o equilíbrio das áreas afetadas por esta ou qualquer outra doença que envolva comprometimento cognitivo, ou até mesmo para, na perspectiva da longevidade, manter a qualidade de vida.

Mamãe, sob orientação, exercita diariamente as áreas cerebrais ainda preservadas. Eu estou consciente e, também, exercito e estimulo os neurônios de diferentes áreas cerebrais. E você, amigo leitor ?