Delírios de mamãe!
Há um mês, mamãe tem apresentado episódios de delírio mais e mais frequentes.
Logo quando acorda, calça o sapatinho (sempre o mesmo), coloca sua famosa bolsinha colorida e charmosa no braço e pergunta:
E assim segue uma sequência de afirmativas e repetitivas perguntas em torno da família - mãe, irmãs, filhos, "as crianças" ("aquele menino que estava aqui, pequeno assim" e mostra a sua altura - pouco mais de 1,20m).
Embora saiba que dentro do quadro das alterações cognitivas, é característico desenvolver transtornos de percepção, isolados ou combinados, é muito triste presenciar essas experiências...
Essas histórias viram crenças inabaláveis, apesar de todas as provas em contrário. O medo, no caso dela, aumenta no final da tarde (o que chamam de "síndrome do pôr do Sol") e começa repetidamente a fechar todas as portas e janelas. Estes são gerados por delírios paranóides sobre a possibilidade de estranhos entrarem em nossa casa.
Compreendo o contexto de mudanças biológicas que ocorrem no cérebro, fruto do curso da doença de Alzheimer. Tento contornar a profunda tristeza que sinto por confrontar-me com as rasteiras que esta "vilã" tem nos dado. Junto com o amanhecer, nasce a cada dia uma nova esperança e nova idéia para estimulação cognitiva. Mas, ainda assim parece não ser o suficiente para desacelerar o processo de evolução da doença.
Embora saiba que dentro do quadro das alterações cognitivas, é característico desenvolver transtornos de percepção, isolados ou combinados, é muito triste presenciar essas experiências...
Essas histórias viram crenças inabaláveis, apesar de todas as provas em contrário. O medo, no caso dela, aumenta no final da tarde (o que chamam de "síndrome do pôr do Sol") e começa repetidamente a fechar todas as portas e janelas. Estes são gerados por delírios paranóides sobre a possibilidade de estranhos entrarem em nossa casa.
Compreendo o contexto de mudanças biológicas que ocorrem no cérebro, fruto do curso da doença de Alzheimer. Tento contornar a profunda tristeza que sinto por confrontar-me com as rasteiras que esta "vilã" tem nos dado. Junto com o amanhecer, nasce a cada dia uma nova esperança e nova idéia para estimulação cognitiva. Mas, ainda assim parece não ser o suficiente para desacelerar o processo de evolução da doença.

Parabéns pelo seu blog... muito bom para o conhecimento de todos de como este problema pode ser encarado!!!
ResponderExcluirEssa possibilidade de ajudar alguém com o registro das minhas experiências é o que me fortalece. Obrigado pelo retorno.
ExcluirBete, querida! Escrever sobre o assunto é sempre uma forma de resolvê-lo, ou torná-lo mais claro para nós. Quando as palavras são ditas todas uma a uma, parece que ao verbalizar o problema se torna menos doloroso para nós! A escrita nos salva!
ResponderExcluirQuerida, a possibilidade de ajudar alguém com meus relatos, me fortalece. Mas, escrevo, também, como forma de desabafo e registro para minhas pesquisas.
ExcluirO conhecimento socializado é a melhor forma de minimizar o nosso sofrimento e, quem sabe, o de alguém que precise... Obrigado pelo seu carinho e apoio!!! Gr bj
ExcluirBoa tarde Bete, sou de Resende e minha mãe também tem essa doença que é tão difícil de conviver. Temos uma amiga em comum, a Ana Regina Waltenberg, foi ela quem me falou do seu blog. Gostei muito de poder "aprender" mais um pouco. É muito complicada a convivência, mas agradeço a Deus todos os dias por estar me dando a oportunidade de conviver com ela, mesmo com tds esses altos e baixos. Obrigado por partilhar sua vida e com isso podermos trocar experiências e ver que é possível viver com qualidade. Um abraço. Nazareth Vianna
ResponderExcluirOlá, Naza! Agradeço suas palavras, sempre nos fortalecem nessa trajetória tão turbulenta ... Minha crença é de que o conhecimento nos dá mais oportunidades de melhorar a qualidade de vida de nossas amadas enfermas!!! E, consequentemente, nos sentimos muito melhores ao lado delas. Seja bem-vindo a este universo desconhecido e esquecido...
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